Depoimentos

Nunca é tarde para aprender. Nem para ensinar

Ela chegou ao MOVA pela filha que precisava ser alfabetizada. Hoje, é educadora.


Dona Maria Lina bem que tentou estudar. Nasceu em Guanambi, no estado da Bahia e lá não teve como ir à escola. “Existia apenas uma escola feita de madeira e a professora ia dar aulas de charrete. Mesmo assim, nem eu nem meus irmãos tínhamos tempo para estudar”, lembra.

Com 10 anos conseguiu ir pela primeira vez à escola, mas cursou as aulas somente até os 13 anos. Depois, teve de abandoná-la para continuar ajudando os pais no trabalho. Acreditou que nunca mais teria chance de estudar. Felizmente, dona Maria Lina se enganou. Entrou no MOVA como aluna. Hoje é educadora e se prepara para o vestibular.

O ingresso

A filha mais velha de dona Maria, com Síndrome de Down, freqüentou a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) dos 7 aos 14 anos, só que não foi alfabetizada no período.

Então dona Maria Lina procurou um núcleo de MOVA em Diadema e levou a filha. Gostou tanto do resultado da alfabetização da filha que, com 62 anos, resolveu também cursar e freqüentou as aulas por dois anos. De lá partiu de volta à escola.

Quando ingressou na quinta série do ensino fundamental não havia vagas para as aulas noturnas, destinadas aos jovens e adultos, o que a fez freqüentar às aulas no período da tarde, com colegas de sala na faixa dos 11 aos 16 anos de idade. Ficou assustada, pensou que fosse ser discriminada. “Me deu um medo, mas não podia desistir. Meu filho pediu para que não desistisse. Acabou sendo melhor do que eu esperava, fazíamos trabalho em grupo e todos nos dávamos bem”, conta.
Na série seguinte conseguiu vaga no curso noturno e assim concluiu o ensino fundamental.

Hoje faz supletivo e até o fim do semestre termina o ensino médio. O que já seria uma grande vitória para muita gente, para dona Maria Lina é pouco. Seu desejo é fazer psicologia e sua atração por essa profissão foi motivada pela igreja que freqüenta em Diadema. Católica, dona Maria Lina visita os fiéis para levar um pouco de conforto e palavras divinas.

Sente neles a necessidade de ter alguém com quem desabafar e compartilhar os problemas do dia-a-dia.

“Quero fazer psicologia para conseguir atender melhor essas pessoas e poder ajudá-las da melhor maneira possível a resolver seus problemas”, diz.