Depoimentos

Minha experiência como educadora do MOVA Diadema
Telma Alciene Alves - Educadora do MOVA DIADEMA

Sempre tive muita dificuldade de falar de mim mesma. Escrever então, nem se fala. Mas hoje, sinto que posso compartilhar algumas lições que o tempo e as pessoas me ensinaram.

Quando fui convidada para entrar no MOVA DIADEMA em fevereiro de 1996, o movimento estava no início, nem eu sabia o que era direito. Tinha terminado o ensino médio e estava pronta para cursar uma faculdade de psicologia. Este era meu sonho até então. Acontece que, nem sempre eles acontecem como planejamos, mas tinha a certeza de que era apenas um sonho adiado, pois espero ainda que um dia ele se realize.

Voltando a 1996, ao curso de formação inicial do MOVA DIADEMA, que era um dos critérios para ser educadora. Nesta época tudo parecia difícil, o curso foi complicado. Falavam em Construtivismo, Paulo Freire, Educação de Jovens e Adultos, "vovô viu a uva"... "chão do meu quintal"... Estas coisas eram complicadas demais para alguém que havia sido alfabetizada pelo método tradicional. Mas, aos poucos fui entendendo desta engrenagem que é a Educação de Jovens e Adultos.

Engraçado como hoje penso que é tão fácil entender o processo que o educando passa, construindo o seu conhecimento. Ainda me recordo que havia poucas pessoas no movimento na época e era um grande marco de mudanças para introduzir Alfabetização de Adultos na cidade de Diadema com os educadores populares. Tínhamos nas mãos o poder de mudar a vida das pessoas (para melhor). Isso é fascinante!!!

Contar minha experiência agora é também refletir sobre a própria experiência. O que é esta experiência? O que significou para mim?

Se procurarmos no dicionário, vai estar lá: Experiência - conhecimento adquirido graças aos dados fornecidos pela própria vida - conhecimento das coisas pela prática ou observação. Sei que durante estes nove anos como educadora popular, aprendi muito e a cada dia agradeço mais este aprendizado. Falar deste conhecimento adquirido, deste conhecimento das coisas, é falar de pessoas. São as pessoas (educandos) que nos fazem ir em busca desse conhecimento, por isso gostaria de relatar aqui o meu crescimento pessoal, da evolução do ser, o resgate da História, tanto da minha vida, quanto da vida dos educandos. Assim é o meu trabalho. Gosto de pesquisar, sou uma pessoa que quando me interesso por um assunto vou fundo nele. Assim foi que entrei para o Movimento de Alfabetização da cidade de Diadema.

Ser um educador popular é ter uma identificação com o outro, saber a trajetória e o processo de vivência de cada um, seus momentos significativos que contribuíram para que cada pessoa seja a pessoa que é hoje, se situando, se identificando e também dos motivos pelas quais está aqui e não em outro lugar. Por isso, acho fundamental que os educadores tenham oportunidades de experimentarem, vivenciarem concretamente o que foi construído em sua vida, é ler e se ver na História. É ler a sua História.

Conhecer os seus educandos, a sua sala de aula é o que faz a diferença. O mais importante é a qualidade da relação e comunicação estabelecidas com o grupo de educando em sala de aula.

Não há uma receita para ser educador popular. Que bom seria se tivéssemos uma fórmula que quando aplicada daria os resultados esperados. O que eu sei é que estabelecer uma relação aberta, próxima com o educandos favorece a comunicação e isso é fundamental pois sem uma sintonia o grupo não evolui, não consegue criar um clima propício à aprendizagem. A descontração, o sentir-se a vontade, desarmado e, acima de tudo, acolhido. Dessa forma o educando se mostrará como ele é e perceberá que existe outras pessoas como ele também, participando do mesmo processo, vivendo o mesmo sonho.

"O movimento da vida não deixa que a vida seja sempre igual. Não se repete o mesmo sol." (Gonzaguinha)

O que venho experimentando com esta experiência de educadora popular é que não é só o que é discutido e aprofundado, como conteúdo pedagógico, mas também os são como conhecimentos construídos e trocados mutuamente. Desta forma, podemos dizer que ainda há muito que se aprender.

Acredito muito no coletivo. Acho que se todos, fizermos juntos, a nossa parte, podemos mudar alguma coisa. Construir coletivamente um conhecimento mostra que desta forma o movimento, mutirões e outras ações sociais podem ser a base das realizações na comunidade.

Espero que de alguma forma tenha contribuído na reflexão sobre o que é ser um educador popular e suas práticas educativas.

"Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz" (Gonzaguinha)

Telma Alciene Alves
Educadora do MOVA DIADEMA